A fórmula da harmonia familiar
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A fórmula da harmonia familiar

O presidente Ikeda comenta: “Quanto mais reclamamos e colocamos a culpa nos outros, mais demorada é a transformação do nosso carma. Se orarmos diante do Gohonzon, apesar de todos os sofrimentos e tristezas, com a firme decisão de que ‘Este é meu destino. Esta é minha vida. Eu farei minha revolução humana em primeiro lugar’, sem falha será aberto um caminho diante de nós”.


Logo após o casamento da Sra. Tieko Yamashita, os negócios do marido faliram, e ele se viciou no jogo e na bebida. Sem ter onde morar e com dois filhos pequenos, receberam abrigo no canto da cozinha de um conhecido, até que um amigo conseguiu para eles uma quitinete. Sua vida era dominada pelo medo das agressões do esposo".


A Sra. Yamashita entrou para a Soka Gakkai em 1965 junto com o marido. Mas todas as noites ele agressivamente exigia que ela saísse da organização. E quando estava bêbado lançava injúrias contra a prática budista.

Certa ocasião, ele destruiu o oratório com um machado, jogou querosene e ateou fogo. Ela saiu de casa com os pés descalços, apertando o Gohonzon contra o peito. Trancada do lado de fora, passou a noite ao relento recitando daimoku até o amanhecer.


Quando foi conversar com um veterano, explicando-lhe entre lágrimas sua situação, ela recebeu uma orientação calorosa porém rigorosa: “Você deve se alegrar por saber que cada oposição que sofre à sua prática equivale a uma porção de seu carma negativo sendo erradicado. E a partir de amanhã você deve continuar a fazer shakubuku!”

Posteriormente, seu marido conseguiu um emprego como subempreiteiro em uma grande fábrica de vidro. Porém, ele era inconsequente com o salário e assim continuaram a viver na pobreza.


Nessa época, a Sra. Yamashita não contava para ninguém sobre seu sonho de um dia ter uma casa. No entanto, quando enfim conseguiu economizar quatro milhões de ienes e foi alegremente mostrar ao marido sua caderneta de poupança, ele a tomou dela. Dois dias depois, quando conseguiu encontrar a caderneta no apartamento, a conta estava zerada. Ele havia gastado todo o dinheiro nas pistas de corrida. A Sra. Yamashita relata: “Eu odiava meu marido, e só pensava em me divorciar. Mas um veterano me orientou dizendo: ‘Você está colocando a culpa de sua infelicidade em seu marido. Se você não mudar, não conseguirá acumular boa sorte’”.


Ao ser orientada, ela determinou levantar-se sozinha e transformar a própria realidade. Conforme ela mesma conta, “O Gosho diz: ‘O Budismo é o corpo, e a sociedade, a sombra. Quando o corpo se inclina, a sombra faz o mesmo’. Determinei parar de oscilar entre a alegria e a tristeza por causa do caos em que minha vida se encontrava e também parar de reclamar do que meu marido fazia ou deixava de fazer. Decidi que, uma vez que esse era meu carma, assumiria a responsabilidade de transformá-lo.” Compreendendo que ter pena de si mesma não lhe traria boa sorte, a Sra. Yamashita empenhou-se sinceramente nas atividades da Soka Gakkai. Assim, ela inesperadamente começou a trabalhar na administração de um terreno em frente à estação de trem. E, no ano de 1972, seu sétimo ano de prática, ela abriu um estacionamento para bicicletas.


A atitude da Sra. Yamashita, sua disposição, começou a mudar. Ela passou a sentir pena do marido pelo fato de ele não entender a alegria da fé e a orar todos os dias para que ele mudasse seu modo de ser. Começou a vê-lo como um verdadeiro “bom amigo”, um estímulo para aprofundar a fé.

Ela observou: “É impressionante. Assim que a indignação que sentia por meu marido se transformou em um sentimento de consideração, ele repentinamente perdeu a obsessão pelo jogo. E começou a orar ao Gohonzon”.


No ano de 1976, o marido da Sra. Yamashita recebeu o diagnóstico de que estava com câncer no esôfago.

Então, diante do Gohonzon, ela orava pelo esposo da seguinte maneira: “Por favor, tire metade de minha vida e a entregue a meu marido. Vamos lutar juntos pelo kosen-rufu”.

Ela se recorda daquela ocasião: “Chorei de amor e consideração que agora sentia por um homem pelo qual eu parecia não sentir nada. Pela primeira vez, compreendi profundamente que eu até então não tinha benevolência”.


Quando a Sra. Yamashita foi visitar o marido no hospital, ele, que até então não se levantava do leito, sentou-se rapidamente e, logo depois, conseguiu sair da cama sozinho. Assim, ela descreve: “Pela primeira vez nós nos tornamos realmente um casal, conversando sobre qualquer assunto de forma honesta e aberta, até mesmo sobre o kosen-rufu e a Soka Gakkai”.

O marido dela começou a estudar avidamente o budismo. No ano seguinte, ele faleceu, como se já tivesse cumprido a sua missão. Vendo seu belo aspecto depois de falecido, dois amigos próximos decidiram iniciar a prática budista.


“Tendo passado por todos os tipos de benefício e punição, creio que meu marido me ensinou sobre a fé. Ele foi realmente um ‘bom amigo’. Eu me tornei uma pessoa que consegue sentir uma incrível consideração, e sei que devo tudo isso à terrível dificuldade pela qual passei”, afirma a Sra. Yamashita.


Além disso, transformando seu estado de vida, a Sra. Yamashita transformou também sua condição financeira. Como ela mesma diz, “o dinheiro simplesmente aparece no meu caminho”. E assim, ela conseguiu concretizar todos os seus sonhos. Para aqueles que a conheceram no período de sofrimento, ela estava irreconhecível de tanta felicidade.


No romance Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda orienta sobre a desarmonia familiar: “Acredito que existam pessoas que estejam enfrentando problemas de relacionamento com os filhos, com a nora ou mesmo com o marido, apesar de realizarem a prática budista. Dizendo de maneira conclusiva, a única forma para preencher a grande fenda que distancia as pessoas num relacionamento é a fé".


“Não há outra forma a não ser elevar e mudar a própria condição de vida e realizar a sua revolução humana. Tanto os pais como o marido, os irmãos e os filhos constituem a realidade na qual foram inseridos e todos estão interligados por elos cármicos. Por isso, não podem fugir desse ambiente".


“Em vez de culpar alguém à sua volta pelo fato de não conseguirem criar a harmonia entre as pessoas, devem mudar a si próprias. Por exemplo, se uma mãe consegue realizar a sua revolução humana e seus filhos passarem a sentir com sincero orgulho que ela é a melhor mãe do mundo, eles também mudarão a sua postura em relação à mãe e passarão a zelar por ela, com gratidão. Isso também ocorrerá com o marido. Enquanto não olharem para si mesmas, enquanto não fizerem quaisquer esforços para realizar a sua revolução humana, e enquanto ficarem apenas criticando os filhos ou o marido como os culpados da situação, jamais sairão dessa circunstância".


“Nichiren Daishonin afirma: ‘Não há duas terras, pura e impura ao mesmo tempo. A diferença reside unicamente na mente boa ou má das pessoas’. Devem despertar com os olhos do budismo. Se o relacionamento no seu lar e em sua família vai caminhar em direção à harmonia e vai se tornar a terra pura, ou vai caminhar por uma trilha escarpada rumo à terra impura dependerá unicamente da própria determinação".


“Para tanto, é necessário que se empenhem arduamente na recitação de daimoku para lapidarem a si mesmas, cultivarem um coração magnânimo que envolve com ternura a família; um coração forte, que não se esmorece diante de nada, e para desenvolverem uma grande sabedoria. Fazer com que a flor da felicidade desabroche dentro da família, que é composta pelas pessoas que lhe são mais próximas, se transformará numa grande força para a promoção do kosen-rufu na localidade”.


O presidente Ikeda conclui: “O grande avanço da ‘revolução familiar’ se inicia a partir da conquista de um ritmo cotidiano saudável de vida fundamentado na fé. E as famílias que emanam o brilho da harmonia e da felicidade são faróis que iluminam a sociedade local.

Uma pessoa que defende o Budismo Nichiren e se ergue na fé com profunda consciência de sua missão pode evidenciar o imenso potencial que reside dentro dela. Sua transformação interior infalivelmente influenciará a vida dos demais ao seu redor, provocando alegres ondas do desenvolvimento do potencial humano. As experiências dos membros da SGI são uma eloquente prova da verdade que, quando se muda, o mundo à nossa volta também muda”.

Portanto, a fórmula da harmonia familiar é levantar-se só.



Fonte: Terceira Civilização, ed. 536, 19 abr. 2013

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