A prática do shakubuku
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A prática do shakubuku

Felicidade pessoal e prosperidade social

O budismo é uma religião de prática e nasceu 500 anos antes de Cristo como um modo ativo de vida por meio do shakubuku — o ato de iluminar a si mesmo e compartilhar essa iluminação com os demais visando a paz social.


No livro O Buda Vivo, o presidente Ikeda descreve que o fundador, Shakyamuni, logo que atingiu a iluminação iniciou diálogos com pequenos grupos para compartilhar suas descobertas. A quantidade de discípulos foi crescendo e assim que alicerçou as bases desta “nova organização religiosa” (p. 99) o Buda iniciou uma longa viagem para propagar seu ensinamento até a cidade de Uruvela.


Mas seus cerca de sessenta fiéis discípulos não o acompanharam. Foram, sim, escalados para viajar individualmente, cada um em uma cidade, “para assim disseminar esses superiores ensinamentos e demonstrar a maneira correta de pô-los em prática, no interesse da paz e da felicidade do mundo. Não deviam seguir em grupos de dois ou três, mas sozinhos, assim como ele mesmo [Shakyamuni] ia, e transmitir os ensinamentos a tantas pessoas quanto possível” (p. 100).


Budismo não é apenas um sistema de filosofia nem uma religião para quem simplesmente deseja passar o tempo num mundo de tranquila meditação — ao contrário, “no interesse da paz e da felicidade do mundo”, devemos realizar o shakubuku por espontânea vontade, como núcleo da prática budista.


O Mestre ensina essa prática para que lapidemos o caráter, aprofundemos a fé e adquiramos “plena autodisciplina e controle” (p. 100). “Esse procedimento adotado por Shakyamuni indica mais do que qualquer outra coisa o grau em que o budismo é uma religião de prática”, conclui o presidente Ikeda


Shakubuku é um ato difícil, mas em unicidade com a fé do Mestre torna-se viável e muito mais simples. É um ato generoso que ativa o que temos de melhor. Sobre isso o presidente Ikeda afirma:


“Ao mesmo tempo que ensinava aos seus discípulos o espírito de shakubuku de não poupar a própria vida, Nichiren Daishonin também enfatizava a importância de demonstrar às pessoas uma genuína cortesia e respeito e de conduzir-se com sabedoria” (BS, ed. 1.447, 7 fev. 1998, p. 3).


Fazer shakubuku é orar sinceramente pelos amigos, usar a sabedoria para dialogar com eles e compartilhar da alegria da prática na SGI. É uma ação autenticamente humana que provoca boa sorte incalculável. É uma prática completa, perfeita e transformadora. É o caminho direto para construir uma sociedade em que a paz e a cultura floresçam verdadeiramente. Enfim, é propagar a Lei Mística.


Por que o ato de realizar o shakubuku é tão fabuloso? Porque permite a si e ao outro manifestar imediatamente sua condição de buda. E, assim, podem trilhar juntos uma existência feliz que não se abala por nada, independentemente do que aconteça. Por isso, os benefícios dessa ação são tão grandiosos. 


O shakubuku praticado na SGI é a maiz eficaz prática de transformação humana porque abarca a “criação de valores”, a energia vital, a paz social, a mudança mental ampla, os benefícios, a manifestação imediata do estado de buda; é tudo de bom!


Quanto mais shakubuku fazemos, mais alegria sentimos e mais impacto causamos na sociedade porque as pessoas começam a mudar a si e ao redor.


Propagar a Lei Mística é um ato que não desaparece nem com a morte pois a Lei Mística compartilhada com os amigos permanece ativa na vida deles por gerações. O presidente Ikeda orienta:


“Ao longo da vida, ficam várias lembranças, mas o shakubuku realizado é a recordação mais preciosa e dourada. Ajam; tomem a iniciativa e promovam o intercâmbio de relações humanas. Isso leva ao shakubuku. É uma ação de suprema importância em conformidade com a Lei da Vida, é uma lembrança que jamais se apaga, por toda a eternidade” (BS, ed. 2.120, 18 fev. 2012).


“Ainda que você ofereça muitas riquezas a uma pessoa, isso não é garantia da felicidade absoluta. O que garante a felicidade absoluta é o shakubuku. Os membros da SGI realizam essa prática. Eu, o terceiro presidente, desde a minha juventude, também pratico de coração o shakubuku. Agir assim é a preciosa e eterna “lembrança de sua presente vida neste mundo humano”. No Brasil, todos os treze mil jovens fizeram o juramento seigan na Convenção de 3 de Maio de 2009, e concretizaram, individualmente, o shakubuku. É um admirável exemplo de cumprir com orgulho o que se promete” (Terceira Civilização, ed. 520, dez. 2011, p. 26).


Nichiren Daishonin declara: “‘Alegria’ significa que a pessoa, junto com outras, experimenta a alegria (...), tanto a pessoa como as outras se alegrarão pela posse da sabedoria e da compaixão” (OTT, p. 146).


Tanto a pessoa como as outras são importantes. Desejar somente a própria felicidade é egoísmo; desejar apenas a felicidade dos outros é hipocrisia. A verdadeira alegria existe quando a pessoa e as outras se tornam felizes juntas.


O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, afirmou: “Tornar-se feliz sozinho não é difícil, é relativamente simples. Mas a essência do Budismo de Nichiren Daishonin se resume em ajudar as outras pessoas a se tornarem felizes também”.


Daishonin diz que a verdadeira felicidade é a posse da sabedoria e da compaixão — isto é, o estado de buda. Se a pessoa possui sabedoria mas lhe falta compaixão, sua vida será obstruída e limitada. Tal sabedoria, então, não será genuína. Ter compaixão mas sem sabedoria ou agir de forma insensata significa que não é capaz de ajudar ninguém, nem a si própria. Essa compaixão não pode ser considerada genuína.


Somente a fé na Lei Mística engloba tanto a sabedoria como a compaixão. Daishonin claramente afirma: “Quando Nichiren e seus seguidores recitam Nam-myoho-renge-kyo, eles expressam alegria pelo fato de que, de forma inevitável, se tornarão budas eternamente dotados dos três corpos” (Ibidem, p. 146). Isto sim é “a maior de todas as alegrias” (Ibidem, p. 212).


O presidente Josei Toda dizia convictamente que “felicidade individual e prosperidade social devem andar lado a lado”.


A felicidade individual citada aqui não é aquela felicidade egoísta; ao contrário, significa cultivar a verdadeira humanidade — a pessoa se desenvolvendo como alguém que possui sabedoria e compaixão e ajuda as outras a fazer o mesmo.


O Sutra do Lótus — o Nam- myoho-renge-kyo — tem o poder de tornar realidade a felicidade individual e a prosperidade social.


Embora o processo de plantar as sementes da felicidade na vida das pessoas, uma após a outra, possa parecer longo, na verdade ele representa o fundamento mais importante para transformar todo o nosso planeta.


Uma árvore cultivada a partir de uma pequena semente leva um longo tempo até crescer, porém ela se torna alta e forte, cheia de flores e frutos e as pessoas encontram nela uma refrescante sombra para descansar. Cada um de nós deve se tornar essa árvore.


O Budismo Nichiren é o caminho para você conquistar sua felicidade junto com outras pessoas. Sacrificarmo-nos pelos outros pode parecer uma nobre ação, mas não é algo que podemos esperar que os demais façam por nós, pois isso nos levaria à uma situação desconfortável.


O propósito da nossa existência é conquistar a felicidade individual e fazer com que os outros também façam o mesmo. Devemos trilhar um caminho que empodere todos a serem vitoriosos na vida. Quando nos dedicamos em prol da felicidade das pessoas, devemos sentir gratidão a elas e pensar: “Todos os desafios que encarei para ajudá-la me tornaram uma pessoa melhor. Que maravilhoso!”; “Os esforços que empreendi para auxiliá-la me fortaleceram ainda mais. Ah, como lhe sou grato!”. O fato é que, quanto mais nos empenhamos em prol do kosen-rufu, maiores são a boa sorte e a sabedoria que adquirimos. As atividades da SGI beneficiam a nós e aos outros.


Você conhece alguém e conversa com ela, ora pela felicidade dela ou lhe escreve um cartão-postal ou uma carta. Talvez a pessoa com quem planejou se encontrar não tenha aparecido, mas você continua a manter contato com ela de tempos em tempos.


Essas atitudes podem parecer insignificantes e, muitas vezes, o faz sentir que não está chegando a lugar algum, mas no futuro, quando olhar para trás, perceberá que nenhum esforço foi em vão. Pelo contrário, o desafio de se encontrar com outras pessoas e incentivá-las o transformou em um indivíduo forte. Verá que recitar daimoku pela felicidade do amigo enriqueceu sua própria vida. Quanto mais o tempo passa — dez, vinte anos —, mais notará que toda ação se tornou um precioso tesouro em sua vida.


Chegará o dia em que as pessoas as quais você foi ao encontro demonstrarão profunda gratidão, falando aos outros com alegria que você as ajudou a criar uma forte fé e a se tornar as pessoas que são hoje.


Seu objetivo deve ser o de exercer papel fundamental na vida do maior número de pessoas possível. Não há tesouro maior.



Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2360,  18 fev. 2017 - Conheça o Budismo


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