Acabar com a pobreza em todos os lugares
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Acabar com a pobreza em todos os lugares

Agir com a determinação de não deixar ninguém para trás

Texto extraído da Proposta de Paz 2016 de Daisaku Ikeda


A profunda correnteza da humanidade


Em setembro de 2015, a ONU adotou um plano sucessor para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), definidos em 2000 e destinados a reduzir a pobreza e a fome. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão definidos no documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.


Além de continuarem o trabalho iniciado pelos ODM, as novas metas procuram desenvolver respostas abrangentes para questões críticas como as alterações climáticas e a redução do risco de desastres até 2030. A mais impressionante talvez seja a clara determinação de não deixar ninguém para trás, sintetizada na primeira meta “acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares”. Isto representa um significativo avanço nos ODM, reduzindo à metade a pobreza extrema, ao declararem que ninguém pode ser abandonado à própria sorte.


A Agenda 2030 chama atenção e enfatiza a necessidade de empoderamento, especialmente em grupos vulneráveis, crianças, idosos, pessoas com deficiência, refugiados e migrantes. Clama também pelo fortalecimento de assistência específica às necessidades especiais desses grupos e pela melhoria das condições de pessoas que vivem em áreas afetadas por emergências humanitárias ou pelo terrorismo.


Estou particularmente satisfeito com a importância central que ganhou nos ODS o princípio de não se deixar ninguém para trás, pelo qual faz tempo venho lutando. Também já solicitei que os ODS incluam a proteção da dignidade e dos direitos humanos fundamentais das pessoas deslocadas e migrantes internacionais.


[...]


As bases da ação altruísta


A convicção de Gandhi inspira não apenas a prática religiosa da SGI, mas também o nosso apoio à ONU e a outras atividades de engajamento social — a determinação de valorizar cada indivíduo.


A base do budismo é a crença na dignidade inerente a todas as pessoas. E, como a seguinte passagem dos ensinamentos de Shakyamuni indica, é despertada por um processo de autorreflexão e autoconhecimento:


Todos estremecem di­an­te da violência: a vida é tão preciosa. Colocando-se no lugar do outro, não se deve matar nem levar alguém a matar.


Em outras palavras, o budismo tem como ponto de partida o impulso humano universal de evitar o sofrimento ou o mal e o senso inegável do valor único do nosso próprio ser. Isto nos leva à conclusão de que os outros devem sentir o mesmo. Na medida em que nos colocamos no lugar do outro, passamos a ter uma noção tangível da realidade do seu sofrimento. Shakyamuni nos convidou a enxergar o mundo com esses olhos de empatia e, portanto, nos comprometermos com um modo de vida que protegerá todas as pessoas da violência e da discriminação.


O altruísmo ensinado no budismo não surge da negação do eu. A consciência da inevitável dor de nossa própria existência, os laços criados pelo caminho percorrido na vida e que nos trouxeram até aqui podem nos despertar para a universalidade da angústia humana, não importam as diferenças de nacionalidade e etnia. É a recusa em ignorar qualquer forma de sofrimento não relacionado conosco que faz a nossa humanidade resplandecer.


De acordo com a descrição de Shakyamuni feita pelo filósofo alemão Karl Jaspers (1883 — 1969), quando o Buda declarou: “Num mundo cada vez mais sombrio, tocarei o tambor da imortalidade”, foi motivado pela convicção de que “falar para todos é falar a cada indivíduo”.


Como atuais herdeiros desta virtude, os membros da SGI se empenham em compartilhar com empatia sofrimentos e alegrias das pessoas comuns e avançar junto com elas numa crescente rede de laços de vida-a-vida.


O espírito budista de valorizar cada indivíduo é enriquecido por mais uma perspectiva: a convicção de que cada pessoa, independentemente de seu caminho de vida ou de sua condição atual, tem a capacidade de iluminar o local onde se encontra no momento. Nós nos esforçamos para não julgar uma pessoa pela sua aparência atual. Em vez disso, nos concentramos na dignidade inerente à vida de cada indivíduo. Assim buscamos inspirar no outro a confiança necessária para viver com esperança, iluminado por essa dignidade.




Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2337, 27 ago. 2016 - Conheça o Budismo


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