Filha do rei dragão
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Filha do rei dragão

No fundo do mar havia um palácio habitado por oito reis dragões. Certo dia, um grande bodisatva chamado Manjushri visitou esse palácio e pregou o Sutra do Lótus. Em seu movimento de propagação, converteu inúmeras criaturas.

Erick Fugii

Em uma de suas pregações, uma menina‑dragão, de apenas 8 anos, estava presente. Era filha de Sagaga, um dos oito reis dragões. Depois de ouvir o Sutra do Lótus, ela atingiu imediatamente a iluminação.

Esse fato não se refere a um feito individual ou exclusivo da filha do rei dragão, mas mostra que todas as mulheres não só podem atingir o estado de buda na forma em que se apresenta — isto é, sem mudar o aspecto físico —, como também abre o caminho do estado de buda para as mulheres das eras posteriores.

Após esse maravilhoso feito, a filha do rei dragão recitou o seguinte verso em louvor ao Buda: “Revelo as doutrinas do grande veículo para resgatar os seres vivos do sofrimento”.1 Seu juramento foi reforçado por todos do seu grupo, criaturas conhecidas como dragões, cujo número é tão vasto que “a boca é incapaz de expressar, e a mente é incapaz de compreender”.2

O rei dragão Sagara, apesar de ser uma criatura inferior, demonstrava profunda dedicação à filha. Por isso, ele mandou buscar o tesouro mais precioso de todo o oceano, a joia da realização dos desejos, e pediu à menina que o levasse ao Buda como oferecimento em gratidão pelo fato de ela ter atingido o estado de buda da forma como era.

Mais tarde, ela se apresentou diante da assembleia do Sutra do Lótus. Lá, dois bodisatvas, Sabedoria Acumulada e Shariputra, afirmaram que as mulheres eram incapazes de atingir a iluminação. Nesse mesmo instante, a filha do rei dragão manifestou o estado de buda sem abandonar sua forma de réptil.

Diante dessa prova real, os bodisatvas passaram a compreender sobre a iluminação da menina-dragão.


Entenda melhor

O capítulo “Devadatta” do Sutra do Lótus conta a história da filha do rei dragão, que atingiu imediatamente a iluminação suprema por meio do poder desse sutra a fim de explicar que todas as pessoas são capazes de atingir a iluminação.

E no escrito A Oração consta: “Por essa razão, Miaole faz a seguinte observação sobre esse acontecimento: ‘aqui o sutra expressa seu poder ao revelar que a prática é superficial, mas o benefício resultante é realmente profundo’. E pelo fato de a menina‑dragão ter atingido o estado de buda por meio desse sutra, como ela poderia abandonar um praticante do Sutra do Lótus, ainda que não tivesse sido advertida pelo Buda”.3

Dessa forma, em gratidão ao grande benefício da iluminação, a menina-dragão faz o seu juramento de propagar a Lei Mística a todas as pessoas.



Notas:

1. Sutra do Lótus, cap. 12.

2. Ibidem.

3. CEND, v. I, p. 358.


Fonte: RDez, ed. 174, jun. 2016, p. 20

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