O budismo se adapta aos costumes locais?
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O budismo se adapta aos costumes locais?

O princípio da universalidade existe em todos os fenômenos e se aplica às pessoas, independentemente da época, etnia e cultura

Felicidade e bem-estar dos seres humanos

O budismo ensina que a Lei ou princípio universal existe em todos os fenômenos e se aplica a todas as pessoas, independentemente da época, etnia, cultura e localização. Portanto, a forma como este ensinamento se propaga depende da sociedade, da cultura e dos costumes da região onde é praticado.


O budismo respeita profundamente a diversidade cultural, desde que os elementos da cultura local não entrem em conflito com espírito fundamental do budismo conforme ensinado no Sutra do Lótus cuja crença essencial é a fé na ilimitada dignidade e no potencial de vida de cada pessoa. Nichiren Daishonin, fundador do budismo do século 13, praticado pelos membros da SGI, escreveu: “Quando examinamos com atenção os sutras e tratados, constatamos a existência de um preceito conhecido como ‘adaptação aos costumes locais’ [jap. zuiho bini., que poderia perfeitamente aplicar-se à questão. Tal preceito significa que, se não implicar em sério ato ofensivo, é melhor afastar-se um pouco dos ensinamentos budistas para evitar ir contra os hábitos e costumes do país]”.


O preceito “adaptação aos costumes locais” é mencionado em passagens da obra As Cinco Regras de Disciplina e no prefácio de Fundamentos de “As Quatro Regras de Disciplina”. Esse preceito estabelece que, em questões sobre as quais o Buda não permitiu nem proibiu de forma explícita, as pessoas podem agir de acordo com os costumes locais, contanto que os princípios fundamentais do budismo não sejam violados.


Isso comprova a flexibilidade e tolerância do budismo cujo propósito não é limitar a vida das pessoas com dogmas e práticas religiosas e sim capacitá-las a atingir a sensação de liberdade espiritual para que possam ajudar os outros e contribuir positivamente para as comunidades e sociedades nas quais estão inseridas.


Mas, enquanto seguimos o espírito de adaptação aos costumes locais e à época, é importante preservar a essência e os fundamentos da fé e prática budistas. Para a SGI, os membros de todo o mundo seguem a mesma prática de recitar dois trechos do Sutra do Lótus e o Nam-myoho-renge-kyo diante do Gohonzon ou objeto de devoção. Há coerência em estudar os escritos de Nichiren Daishonin e realizar reuniões de palestra mensais para compartilhar o entendimento do budismo, mas o formato e o estilo desses encontros variam de um país para outro, dependendo do contexto cultural.


Profunda reverência à vida

O Sutra do Lótus, a escritura budista na qual os ensinamentos de Daishonin estão baseados, esclarece o espírito essencial do budismo como profunda reverência à vida humana. Cada indivíduo é um ser indispensável, digno de respeito e de ilimitado potencial. O budismo nos incentiva a trabalhar para uma sociedade na qual as pessoas apoiem umas as outras totalmente enquanto se empenham para explorar esse potencial.


Todos os demais ensinamentos encaixam-se na perspectiva correta através da lente deste ideal. À medida que o budismo se propaga de uma cultura na qual se consolidou para outras culturas, os praticantes não devem ficar preocupados demais com as manifestações culturais oriundas de outros povos que não são naturais da cultura em que vivem. Por exemplo, no Japão, durante a recitação do daimoku, é costume sentar-se na posição formal ajoelhada (seiza), conhecida e comum para o dia a dia do povo japonês. Porém, essa posição pode ser desconfortável e até dolorosa para aqueles que não estão acostumados a ela. Não é preciso se ajoelhar durante a prática budista, mas é aconselhável sentar-se ereto e atento e, para tanto, fazê-lo em uma cadeira é prático e adequado em muitas culturas.


A mensagem fundamental do budismo, na forma como é apresentado no Sutra do Lótus, é o desenvolvimento da felicidade e do bem-estar dos seres humanos. À medida que o budismo se aprofunda na vida de pessoas das mais variadas culturas ao redor do mundo, o conceito de “adaptação aos costumes locais” [jap.zuiho bini] ajuda os praticantes a distinguir claramente entre os meios de ensinamento religioso e o objetivo final.


Nota:
Texto publicado pela Soka Gakkai Internacional na Revista SGI Quarterly que reúne vozes de uma série de indivíduos e grupos que oferecem respostas criativas para os desafios comuns do nosso tempo. As edições podem ser baixadas do site [em inglês] www.sgiquarterly.org

Fonte:
Brasil Seikyo, ed. 2.371, 13 maio 2017, p. A3
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