Um diálogo sobre genoma
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Um diálogo sobre genoma

Extraído do discurso publicado no jornal Seikyo Shimbun, de 17 de dezembro de 2005, entre Daisaku Ikeda; Dr. Shosaku Narumi, presidente da Conferência de Jovens Médicos da Soka Gakkai; Dra. Chiaki Nishiyama, coordenadora do Departamento de Médicas da Soka Gakkai; e Dr. Ryuto Hirasawa, secretário do Departamento de Médicos da Área Tóquio 2.


Dr. Hirasawa: Genoma é um conjunto de informação genética que se transmite de pais para filhos por meio dos gametas masculino e feminimo (espermatozóides e óvulos). A palavra é uma combinação de “gene” e “cromossomo”. Os filhos, portanto, herdam os genomas de seu pai e de sua mãe.

Presidente Ikeda: Então, quando falamos de transmissão hereditária, referimo-nos às informações contidas dentro desses genomas?

Dr. Narumi: Sim. Os genes contêm as informações necessárias para sintetizar as proteínas e as enzimas essenciais para a formação do organismo. De acordo com estudos mais recentes, o genoma humano contém aproximadamente trinta mil genes.

Dra. Chiaki: Esse número causou surpresa para muitos cientistas, pois até então acreditava-se que o corpo humano continha cerca de cem mil genes.


Dr. Hirasawa: Os estudos nesse campo estão ajudando a compreender melhor certas doenças. Por exemplo, foram identificados os genes que causam enfermidades hereditárias, como a Doença de Huntington e neurofibramatose. Essas doenças ocorrem em indivíduos que possuem um certo gene mutante ou anomalia genética.

Dr. Narumi: Embora esses estudos permitam conhecer a possibilidade de desenvolver enfermidades, não há garantias de que exista uma cura para elas. Por essa razão, esses testes devem ser conduzidos com o máximo cuidado.

Presidente Ikeda: Em um de seus escritos, Nichiren Daishonin diz a respeito das doenças genéticas ou hereditárias: “Doenças que invariavelmente são transmitidas de pais para filhos”. (Gosho Zenshu, p. 1228.)

Dr. Narumi: Acredita-se que todos possuam entre seis e sete genes que podem causar doenças, mas isso não significa que necessariamente desenvolverão a patologia. No caso de doenças associadas a hábitos ou modo de vida — como câncer, hipertensão e diabetes —, o desenvolvimento da enfermidade resulta da combinação de fatores genéticos e ambientais. Portanto, é extremamente difícil prognosticar se a pessoa contrairá algum tipo de doença no futuro.


Presidente Ikeda: Voltando ao assunto da genética, o Dr. Unger fez a seguinte advertência, observando que algumas companhias de seguro recusavam clientes porque o estudo de seus genes havia revelado a possibilidade de padecerem de câncer ou que empresas não admitiam empregados por razões semelhantes. Nessas circunstâncias, a tecnologia genética, longe de melhorar as condições da vida humana, torna-se uma ameaça.

Dra. Chiaki: Com os avanços da genética, surgem questões complexas e delicadas, como por exemplo, a privacidade. Se permitirmos que a informação genética seja usada para discriminar as pessoas, negando-lhes assistência médica por planos de saúde e emprego, isso seria contrariar seus próprios propósitos.

Dr. Narumi: Muitas idéias distorcidas a respeito da genética apoiaram a discriminação e o preconceito no passado. O nazismo, por exemplo, desencadeou a tragédia do Holocausto a partir da crença na superioridade de uma raça.

Dr. Hirasawa: Em 1994, foi publicado um livro nos Estados Unidos que defendia que a inteligência é hereditária e que, portanto, as crianças de certos grupos étnicos estão destinadas geneticamente a uma intelectualidade inferior. Conseqüentemente, o livro afirmava que o apoio educacional para elas deve ser cortado. O que mais impressiona é que, naquele país, foram vendidos mais de quinhentos mil exemplares da obra.

Dr. Narumi: O Dr. Stephen J. Gould (1941–2002), catedrático da Universidade de Harvard e renomado estudioso da teoria da evolução, criticou duramente o conteúdo da obra, dizendo que os autores deram um enfoque simplista a casos complexos.

Presidente Ikeda: Em junho de 1994, conheci o Dr. Gold durante a cerimônia em que recebemos o doutorado honorário da Universidade de Glasgow. Ele declarou que a inteligência não era predeterminada por fatores genéticos ou raciais, mas dependia grandemente de fatores ambientais.


Presidente Ikeda: A Ciência deve contribuir para a felicidade e o bem-estar da humanidade. Ela existe para proteger a dignidade da vida. É hora de os cientistas reafirmarem esse propósito fundamental.

O Dr. M.S. Swaminathan, um dos geneticistas especializados em vida vegetal mais destacados no mundo inteiro, afirmou que a pesquisa genética moderna revela que quase todos os organismos vivos partilham um código genético comum. Isso quer dizer que todas as formas de vida são sagradas. Um escrito budista de Daishonin defende a mesma ideia: “Cada planta, árvore, cascalho e partícula de pó possui o estado de buda”.

Dra. Chiaki: O budismo nos ensina que nossa vida é de uma nobreza suprema e compreende todo o universo.

Presidente Ikeda: Atualmente, a humanidade tem ao seu dispor uma enorme quantidade de informação e tecnologia. No entanto, perdeu a visão holística que lhe permite ver a vida, o ser humano, a natureza e o cosmos como um todo integrado. O século 21 é o “Século da Ciência da Vida” e, certamente, o estudo sobre a vida se aprofundará e avançará ainda mais. Por isso, faz-se necessário a presença de uma filosofia que nos possibilite usar todo conhecimento e tecnologia para a felicidade da humanidade.



Fonte: Terceira Civilização, ed. 466, 1 jun. 2007

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