A organização constitui um meio, não um fim
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A organização constitui um meio, não um fim

Organizações são compostas por vários tipos de pessoas que proporcionam estímulo ao crescimento pessoal

talvez vocês não gostem de organizações, porém, permanecer sozinho significa liberdade?

Vocês conseguem garantir que não se perderão de si mesmos se ficarem sozinhos? É difícil dizer. A legítima liberdade não significa viver de forma egoísta e fazer só o que lhe agradar, mas pressupõe trilhar o caminho correto na vida.


A Terra, por exemplo, gira em torno do Sol. Se ela se desviasse de sua órbita o mínimo que seja, provocaria um desastre. Se uma espaçonave seguir a trajetória correta, poderá transpor o vasto cosmo e alcançar seu destino. Esse é o significado da verdadeira liberdade.


O esporte também possui suas próprias regras. Há uma maneira específica de se fazer as coisas.


Liberdade quer dizer sair por aí quebrando arbitrariamente tais regras?

Não penso assim. A liberdade genuína consiste em fazer pleno uso de sua força e habilidade, seguindo ao mesmo tempo as regras do jogo.


Viver sem um objetivo ou propósito, fazer o que quiser e quando quiser acarreta uma vida imprudente e autodestrutiva. Organizações são compostas por vários tipos de pessoas que proporcionam estímulo ao crescimento pessoal. Em muitos esportes também será difícil avaliar a habilidade real da pessoa se ela só treinar ou praticar sozinha. Crescimento e desenvolvimento resultam da interação com diversas pessoas.


Por exemplo, os inhames — tubérculos populares no Japão e em outros lugares — são ásperos e sujos ao serem colhidos. Porém, se os colocarmos numa bacia debaixo de água corrente, esfregando-os, a casca sairá, deixando-os limpos e prontos para serem cozidos. Talvez seja inadequado comparar pessoas a inhames, mas o que quero dizer é que a única forma de aprimorar e lapidar um caráter é interagindo com outros.


Ao permanecerem sozinhos sem se socializar ou pensar nos outros pode parecer cômodo e livre de preocupações, contudo, vocês se verão presos a um mundo terrivelmente pequeno e limitado. Ao se esquivarem de pertencer a qualquer grupo ou organização, vocês se privarão do contato com diversas pessoas e, no fim, poderão até questionar qual o sentido da própria existência.


Uma sociedade destituída de qualquer espécie de organização seria caótica e desordenada; seria uma população sem governança, em que cada um faria o que lhe aprouvesse, independentemente das consequências. Seria como um navio navegando pelo mar sem bússola — ou se perderia ou acabaria naufragando.


A organização constitui um meio, não um fim

Nos primeiros anos de prática tive dificuldade para me acostumar com o ambiente organizacional. Naquele tempo carecíamos dos elementos de cultura, e eu simplesmente não conseguia gostar da organização. Ao perceber isso, o presidente Josei Toda me disse: “Se é assim que se sente, então, por que não cria uma organização que realmente goste? Trabalhe arduamente e se empenhe com seriedade para construir a organização ideal por meio de seus próprios esforços!”.


Isso também se aplica à escola ou à família. Como membro da organização chamada escola, deve assumir o compromisso de torná-la um lugar melhor. Como integrantes de uma organização denominada família, deve-se ter o espírito de criar o melhor ambiente familiar possível. Isso é apenas uma questão de lógica; e budismo é lógica, é razão. Assumir a responsabilidade por nossa vida com a determinação de que “eu serei a força propulsora da mudança!” traduz o espírito do Budismo de Nichiren Daishonin.


Nossa organização, que se destina à promoção do kosen-rufu, foi criada para que pudéssemos aprofundar nossa compreensão sobre o Budismo Nichiren e também compartilhar esses ideais e princípios com os outros.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.366, 8 abr. 2017, p. B3
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