A primavera sempre chega
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A primavera sempre chega

É importante perseverar na fé até o fim

Trecho do escrito — O Inverno nunca Falha em se Tornar Primavera

Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera.1 Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono ou que uma pessoa que tem fé no Sutra do Lótus tenha se tornado uma pessoa comum [não iluminada]. No sutra consta: “Se houver quem ouça a Lei, então ninguém deixará de atingir o estado de buda”.


“O inverno nunca falha em se tornar primavera” — são palavras que membros do mundo inteiro gravaram no fundo do coração e nutrem como fonte de esperança em sua prática budista. Certamente não há palavras que expressem de maneira mais sucinta a essência da revolução humana. Nelas, podemos sentir intensamente o coração de Daishonin — sua convicção de que podemos infalivelmente superar qualquer obstáculo e atingir o estado de buda nesta existência.


A religião da esperança de superação de adversidades

Nessa passagem, Daishonin declara como premissa básica que “aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno”. Desfrutar a primavera da esperança significa ultrapassar o inverno das adversidades.


Por que “aqueles que creem no Sutra do Lótus” têm de enfrentar duras provações comparáveis ao gélido inverno? Assim como o Sutra do Lótus explica, é porque os “três obstáculos e quatro maldades” e os “três poderosos inimigos”2 infalivelmente surgem e tentam obstruir o caminho da prática budista visando a consecução do estado de buda nesta existência.


O budismo nos assegura, porém, que “o inverno nunca falha em se tornar primavera”. Se observarmos o fluxo natural das estações, o inverno nunca retrocede ao outono, e mesmo o mais longo e rigoroso inverno dá lugar ao calor da primavera. De modo semelhante, se suportarmos a gélida oposição à nossa prática budista e continuarmos nos empenhando ao máximo, ativando uma forte fé, conseguiremos infalivelmente fazer desabrochar exuberantes e profusas flores da vitória. Essa é uma certeza absoluta.


Por isso, é importante perseverar na fé até o fim. Se pararmos no meio do caminho ou sucumbirmos a dúvidas e abandonarmos a prática, todos os nossos esforços serão em vão. O segredo é continuar instigando a nós mesmos a seguir em frente, com firmeza, constância e ânimo, convictos da chegada da primavera repleta de alegria e felicidade.


Não deixar ninguém para trás

Outro aspecto importante na fé no Sutra do Lótus é que todos os que ouvem sobre o ensinamento da Lei Mística infalivelmente atingem a iluminação. Como afirma a passagem do capítulo “Meios Apropriados” (2º) do Sutra do Lótus: “Se houver quem ouça a Lei, então ninguém deixará de atingir o estado de buda”.


A chegada da primavera não é restrita a um seleto grupo de pessoas. A Lei Mística abre o caminho para a iluminação de todos, sem que ninguém seja excluído ou deixado para trás. Isso se torna possível mediante o ato de plantar as sementes da Lei Mística — a causa para se atingir o estado de buda — na vida das pessoas. É isso que distingue o Budismo Nichiren como religião universal.


Em outro escrito, Nichiren Daishonin declara: “Basta ver um único botão de flor para perceber a chegada da primavera”. Podemos sentir que a primavera se aproxima ao ver um simples botão florescendo de forma resplandecente em meio ao vento gelado. Em outras palavras, o “coração convicto” de uma única pessoa que conquistou a flor da vitória com a fé na Lei Mística pode produzir uma fragrante brisa de esperança e ensejar a primavera da felicidade e vitória para todos ao redor.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.431, 11 ago. 2018, p. B4
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Notas:

1. Nichiren Daishonin redigiu essa carta, endereçada à monja leiga Myoichi, em maio de 1275, no Monte Minobu. Nela, ele pondera como o falecido marido dela ficaria feliz em saber que Daishonin recebera indulto do exílio em Sado e louva a pureza da fé de Myoichi assegurando-lhe que “o inverno nunca falha em se tornar primavera”.
2.“Três poderosos inimigos”: Três tipos de pessoas arrogantes que perseguem aqueles que propagam o Sutra do Lótus na era maléfica após a morte do buda Shakyamuni, descritos na parte em versos que conclui o capítulo “Encorajamento à Devoção” (13º) do Sutra do Lótus. O grande mestre Miaole da China os resume como leigos arrogantes, sacerdotes arrogantes e presunçosos, e sacerdotes arrogantes respeitados como sábios.

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