As virtudes do Buda manifestam-se por causa das pessoas comuns
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As virtudes do Buda manifestam-se por causa das pessoas comuns

Os mortais comuns são dotados dos atributos do Buda

Nichiren Daishonin cita: “Embora se pense que o buda Shakyamuni possua as três virtudes de soberano, mestre e pais em benefício de todos nós seres vivos, isso não é verdade. Ao contrário, são os mortais comuns que o dotam com as três virtudes.”


As grandiosas virtudes do Buda manifestam-se por causa das pessoas comuns, afirma Daishonin. Esta é uma declaração realmente extraordinária, uma corajosa e histórica afirmação de humanismo que marca uma partida radical da religião como uma entidade autoritária passando a ser uma entidade que coloca as pessoas em primeiro lugar.


Os “mortais comuns” que constam nessa passagem referem-se num sentido específico a Nichiren Daishonin. Como uma pessoa comum que estava sofrendo a mais dura perseguição, Daishonin leu o Sutra do Lótus com a própria vida e comprovou a verdade das palavras do Buda. Sua própria vida foi um sublime drama de reforma religiosa incorporando o princípio de que as pessoas comuns possuem o mais elevado estado de ser. E, de acordo com os ensinamentos de Daishonin, fica claro que seus discípulos que se levantam com o mesmo espírito que ele e se devotam à recitação e à propagação do Nam-Myoho-renge-kyo são também a comprovação viva desse princípio.


Todas as pessoas possuem a condição de buda

O budismo originou-se com o Shakyamuni histórico. Mas, com o passar dos séculos, ele passou a ser considerado como um ser sobrenatural dotado de características sobre-humanas e especiais. Os sacerdotes e os clérigos profissionais exploraram isso para dar suporte a seu próprio poder e autoridade e colocaram o Buda numa posição elevada e separada das pessoas. O ensinamento de Daishonin de que o supremo estado de Buda existe na vida de todas as pessoas mudou tudo isso.


A vida das pessoas comuns não brilha porque elas são iluminadas pelo Buda; ao contrário, as pessoas comuns são o que faz do Buda um Buda. Dessa forma, Daishonin mudou totalmente o conceito popular predominante da relação entre o Buda e os seres vivos. O princípio do verdadeiro aspecto de todos os fenômenos é a profunda doutrina que dá suporte a esse conceito.


O escrito de Daishonin intitulado O verdadeiro aspecto de todos os fenômenos começa com uma afirmativa dizendo que todas as coisas e fenômenos são, em sua forma exata, a verdadeira realidade, e assim “são, sem exceção, manifestações do Myoho-renge-kyo”. Tudo no universo é manifestação da Lei Mística. Por isso, quando as pessoas comuns recitam e propagam a Lei Mística, que é a verdadeira realidade de todas as coisas, elas se constituem em veneráveis budas vivendo de acordo com essa suprema Lei.


Nesse escrito, Daishonin afirma decididamente que, como entidades da Lei Mística, as pessoas comuns são os verdadeiros budas. Ao contrário, os budas que surgem nos sutras anteriores ao Sutra do Lótus são apenas budas provisórios manifestando diferentes funções da Lei Mística.


A nobre condição de vida do estado de buda, que nada mais é que o Myoho-renge-kyo, a Lei do universo, existe em todas as pessoas. A questão é se nós compreendemos essa verdade e conseguimos manifestá-la em nossa vida por meio de firme fé nesta existência. Esta é a única diferença entre um buda e uma pessoa não-iluminada.


Fonte:
Brasil Seikyo, ed. 2.015, 12 dez. 2009 - p. A3
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