Construindo passo a passo uma civilização em que prevaleça a justiça
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Construindo passo a passo uma civilização em que prevaleça a justiça

"Vamos nós, membros da SGI, direcionar nosso coração ao mundo e ao universo enquanto atuamos em nossa comunidade", diz presidente Ikeda

Com base no discurso proferido na 30ª Reunião de Responsáveis de Regional, realizada junto com a cerimônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao presidente Ikeda pela Universidade de Délhi, na Índia, e com a 6a Convenção de Tyugoku e a 10ª Reunião de Líderes da Divisão Feminina, no Auditório Memorial Makiguchi de Tóquio em Hatioji, no dia 7 de janeiro de 1999.


Luta contínua

Recentemente [1999] recebi uma mensagem do presidente Fidel Castro, na qual ele dizia ter ficado muito feliz e honrado com os cumprimentos que eu lhe havia enviado, algum tempo atrás, desejando-lhe boa saúde em meio aos seus vários compromissos. Na mensagem, ele também declarou que, uma vez que era um “revolucionário”, continuaria a lutar até o seu último suspiro em prol da dignidade do povo cubano e pela soberania de Cuba. Ele também me chamou de “revolucionário”, alguém que luta dia a dia pela dignidade das pessoas comuns, independentemente das consequências. Reconhecendo as longas horas que trabalho de segunda a segunda pela concretização da paz mundial, o líder cubano desejou-me boa saúde em minhas atividades. E também expressou sua esperança de que, em minha próxima visita às Américas, eu fosse visitar Cuba novamente.


Quando visitei Cuba cerca de três anos atrás, fui recebido calorosamente.


O presidente Ikeda visitou Cuba em junho de 1996. Durante sua estada, encontrou-se com o presidente Fidel Castro no Palácio da Revolução em Havana.


O mundo é o nosso palco. Nichiren Daishonin refutou serenamente o poder do Japão de sua época, denominando-o “soberano desta pequena ilha.”


O Budismo de Nichiren Daishonin tem como origem um estado de vida infinitamente vasto que abarca o mundo inteiro e o universo. Por isso, vamos nós, membros da SGI, direcionar nosso coração ao mundo e ao universo enquanto atuamos em nossa comunidade.


Homenagem da Universidade de Délhi

É uma imensa honra recebermos nesta reunião esses renomados estudiosos e filósofos que vieram da Índia, terra de grandiosa herança espiritual que é o tesouro de toda a humanidade.


Na verdade, este evento contém um profundo significado para mim, pois a esperança de criar laços espirituais com a Índia, berço do budismo, com a qual temos um imenso débito de gratidão, tem sido o sonho dos discípulos de Nichiren por setecentos anos. O primeiro e o segundo presidentes da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, lutaram destemidamente para tornar esse sonho uma realidade. Portanto, gostaria de dedicar este título que recebi de sua ilustre instituição aos meus nobres predecessores. É também minha firme convicção que daqui a cinquenta ou cem anos as pessoas venham a se lembrar desta histórica cerimônia com grande orgulho.


“Eu vencerei!”

Permitam-me relatar-lhes um incidente que ocorreu quando Mahatma Gandhi lutava pelos direitos humanos na África do Sul.1 Gandhi lutou pela revogação de uma notória lei que exigia o registro de todos os asiáticos.


Aprovada em 1907, a lei exigia o registro de todos os indianos residentes na África do Sul com idade superior a oito anos. Suas impressões digitais eram colhidas e arquivadas, tornando-se obrigatório o porte da carteira de registro de residente asiático. A desobediência significava severas multas, prisão, perda do direito de residência e, finalmente, deportação.


Gandhi procurou diretamente o general que era o chefe do governo e disse-lhe: “Vim para informar-lhe que lutarei contra o seu governo.”


Gandhi era uma pessoa de verdadeira coragem. Esse é o único meio de lutar contra a injustiça.

O general riu desdenhosamente e respondeu: “Você quer dizer que veio até aqui para me dizer isso? Há algo mais que queira dizer?”

“Sim”, afirmou Gandhi claramente. “Eu vencerei.”

Que declaração maravilhosa! Ele já havia decidido o resultado. Em termos de sua poderosa determinação, ele já havia vencido.

Perplexo, o general perguntou: “Bem, e como irá fazer isso?”

Gandhi sorriu e respondeu: “Com a sua ajuda.”


E fiel à sua declaração, Gandhi finalmente conseguiu fazer com que o general se tornasse seu aliado nessa causa. Conquistou o respeito do general com sua própria integridade e coragem. E obteve enfim a vitória da revogação da lei. Esse fato realmente ocorreu.


Como resultado da longa e pacífica luta de Gandhi, durante a qual esteve prestes a ser preso, a lei foi revogada e os direitos civis básicos dos indianos passaram a vigorar em 1914.


Deve possuir força e coragem

Que coragem, que espírito, que otimismo Gandhi manifestava! Como suas ações são inspiradoras! Essas são as qualidades e características de um verdadeiro revolucionário. Gostaria que todos os senhores, revolucionários Soka, revolucionários do novo século, manifestassem esse mesmo espírito.


Um revolucionário deve possuir uma força de ferro e coragem. Certa pessoa comentou sobre o crescente número de líderes da Soka Gakkai covardes comparado aos do início da organização. Observou que houve até alguns que conquistaram altas posições graças ao sincero apoio de seus preciosos companheiros, mas acabaram se tornando ingratos e arrogantes. Essa pessoa declarou que esses indivíduos eram realmente tolos e não mereciam a confiança dos outros.


Peço que a Divisão dos Jovens se levante mais uma vez e construa uma nova Soka Gakkai!


Mesmo que mais ninguém o faça, eu me levantarei. Ainda que esteja sozinho, eu lutarei! Sou um sucessor do legado do Sr. Makiguchi. Sou um discípulo direto do Sr. Toda. Irei lutar mais uma vez, rumo ao século 21. Por favor, juntem-se a mim!


Vamos avançar alegremente com a convicção de que “se a Soka Gakkai é inabalável, então o Japão e o mundo inteiro também se tornarão inabaláveis”. Nosso propósito não é nenhum outro senão o kosen-rufu, a felicidade das pessoas e a de cada um de nós. E, se vamos lutar nesse movimento, então vamos conquistar uma retumbante vitória!


Ponto primordial

O Sr. Makiguchi, que também é o criador do sistema educacional de criação de valor, frequentemente dizia: “Quando chegar a um impasse, retorne ao começo, ao seu ponto primordial.” Esse é um princípio famoso. A humanidade se encontra num sério impasse. Portanto, é fundamental ouvirmos atentamente e com toda humildade a profunda mensagem espiritual que continua a ecoar, serena e silenciosamente, da eterna terra da Índia.


O ponto primordial de um contínuo humanismo é o conceito de vitória humana baseado no Dharma — que significa Lei, justiça, ou verdade — conforme foi demonstrado pelo rei Asoka da Índia (268–232 a.C.) Falei sobre isso em meu discurso na Fundação Rajiv Gandhi [em outubro de 1997].


O professor Rana da Universidade de Délhi, um dos nossos ilustres convidados de hoje, é um famoso especialista no rei Asoka.


Quando o Sr. Makiguchi foi interrogado na prisão pelas autoridades militares japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, ele declarou dignamente seu comprometimento com o princípio budista de seguir a Lei e não as pessoas. O que importa é a Lei. As pessoas são volúveis, mas a Lei é constante e imutável. Portanto, devemos nos basear na Lei.


O Sr. Makiguchi agia de acordo com o princípio fundamental do universo, a eterna e imutável Lei. Baseando-se nessa ilimitada perspectiva, ele corajosamente desprezou o poder das autoridades militares. Esse é o grandioso espírito da Soka Gakkai.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 1.503, 10 abr. 1999, p. A3
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Nota:

1. Esse incidente e as citações subseqüentes foram extraídos de: Eknath Easwaran, Gandhi the Man: The Story of His Transformation (A Pessoa de Gandhi: A História de sua Transformação). Tomales, Califórnia, Nilgiri Press, 1997, pág. 47.

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