Estudar o budismo para vencer os desafios da vida
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Estudar o budismo para vencer os desafios da vida

O caminho correto para manifestar o espírito de unicidade de mestre e discípulo

Discurso do presidente Ikeda adaptado da série de ensaios “A luz do Século da Humanidade”, publicada em japonês no Seikyo Shimbun em 20 de outubro de 2004.


Em outubro de 1271, pouco depois de ter a vida ameaçada na Perseguição de Tatsunokuchi e antes de partir para o exílio na Ilha de Sado, Nichiren Daishonin enviou uma sincera carta aos seus discípulos, na qual ele escreve: “É mais fácil encontrar alguém que recite, com perfeição, cada palavra do Sutra do Lótus do que alguém que aja de exato acordo com os ensinamentos desse sutra” (CEND, v. I, p. 208).


Ele, então, prossegue e declara que, por enfrentar uma grande perseguição ao praticar em exato acordo com o que Buda ensinara, somente ele havia “lido e vivido” as passagens do Sutra do Lótus e previsto que os praticantes de eras posteriores seriam “desprezados, odiados, invejados e injustiçados” (LSOC, cap. 3, p. 110), e que “ódio e inveja com relação ao sutra seriam ainda mais abundantes após a morte do Buda” (LSOC, cap. 10, p. 203; CEND, v. I, p. 208).


Sem dúvida, as palavras indômitas desse rei leão fizeram estremecer a espinha de seus amados discípulos. Era como se ele estivesse perguntando: “Como vocês, meus discípulos, vão lutar quando se depararem com essas provações ou obstáculos?”.


Os escritos de Nichiren Daishonin são escrituras eternas. São um brado comovente do fundo de seu ser; uma declaração apaixonada em prol da verdade e justiça que ele deixou para nós, que praticamos o Sutra do Lótus nos Últimos Dias da Lei, uma era maléfica repleta de funções demoníacas. Consistem num potente rugido do leão convocando-nos poderosamente: “Empenhem-se com coragem e nunca abandonem a fé!”, “Adornem sua vida com triunfo!”, “Decididamente, derrotem a maldade!”.


É por esse motivo que todos nós, como discípulos de Daishonin, devemos nos perguntar com seriedade todas as vezes que lermos seus escritos: “Como conduzirei minha vida?, Como desafiarei a mim mesmo em prol do kosen-rufu?”.


Ler os escritos de Daishonin com a própria vida significa fazer essa leitura não como algo relativo aos outros ou sobre o que aconteceu há muito tempo, mas como algo diretamente relacionado conosco no presente, aplicando-os aos desafios que enfrentamos em nossa própria vida. Este é o caminho correto para manifestar o solene espírito de unicidade de mestre e discípulo.


É importante que gravemos profundamente as palavras de Daishonin em nosso coração — mesmo que seja apenas uma única linha ou passagem que nos toque intimamente ou pareça ter sido escrita especialmente para nós — e que empreendamos constantemente esforços renovados em prol do kosen-rufu com fé inabalável. É com essa postura que devemos seguir a ordem expressa de Nikko Shonin, sucessor direto de Daishonin, que nos exorta a “gravar os escritos de Daishonin em nossa vida” (GZ, p. 1618).1


Durante a Segunda Guerra Mundial, o Sr. Toda passou dois lúgubres anos no cárcere em decorrência da perseguição do governo militarista japonês. Foi no período em que estava atrás das grades que despertou para o kosen-rufu como a sua missão suprema de vida. Como discípulo do primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, que tragicamente faleceu na prisão, ele jurou não ser derrotado pelas forças repressoras das autoridades responsáveis pela morte do seu mestre. Destemido, nem mesmo a possibilidade de ser executado a tiros poderia detê-lo. Imediatamente após ser solto da prisão, lançou-se à grande luta em prol do kosen-rufu.


Entretanto, essa mesma perseguição fez com que o restante dos discípulos do Sr. Makiguchi abandonasse a fé. Em Abertura dos Olhos, Daishonin declara: “Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial” (CEND, v. I, p. 296). No “momento crucial”, esses discípulos se abalaram e se curvaram e descartaram a preciosa espada da fé na Lei Mística. O Sr. Toda lamentava e estava angustiado com o rumo dos acontecimentos. Por que mero encarceramento os fizera abandonar a fé? Não representava a mais esplêndida oportunidade de obter benefícios grandiosos e perenes? Além disso, não existe um traço de covardia ou medo na fé descrita por Nichiren Daishonin em seus escritos.


O presidente Josei Toda refletiu e considerou a questão com seriedade. Aquele homem de extraordinário intelecto ponderou profundamente sobre a questão, dia e noite, perguntando-se por que os outros haviam abandonado a fé.


Chegou à conclusão que eles careciam da base do estudo do budismo, que esclarece a que se refere a fé e proporciona a força propulsora para a prática. Percebeu que havia se esquecido de ensinar-lhes a ler os escritos de Daishonin. Se tivesse capacitado os membros a incutir o estudo do budismo — ou seja, os ensinamentos contidos nos escritos de Daishonin — no âmago da vida, eles não teriam abandonado a prática. Mesmo os mais medrosos se sentiriam inspirados a perseverar em seus esforços com coragem. Escritos de Daishonin — essa era a chave — percebeu ele.


Com base nas orientações do Sr. Toda a esse respeito, derivadas das dolorosas lições de sua experiência durante o período da guerra, a Soka Gakkai, como um todo — líderes e membros, igualmente, carregavam consigo os escritos de Daishonin em todos os lugares e os estudavam por completo.


Sem estudo, não há budismo. E budismo sem fé não é budismo.


Quando tínhamos algum tempo livre [nos primórdios de nosso movimento], estudávamos os escritos de Daishonin. Líamos, discutíamos e estudávamos juntos em todas as reuniões. Uma nova chama acendeu dentro de nós. Nossos olhos brilhavam contemplando um vasto e novo futuro. Ler os escritos de Daishonin contribuiu diretamente para nossa revolução humana; foi o ímpeto para aprofundarmos ilimitadamente nossa fé.


O estudo do budismo ao qual estou me referindo não dizia respeito ao estudo de conceitos abstratos, nem à memorização de doutrinas difíceis. Também não tinha como finalidade nos tornar estudiosos ou acadêmicos.


O estudo do budismo Nichiren que realizamos na época serviu como uma fonte de força para perseverarmos na vida, em nossas batalhas diárias, em nossos esforços pelo kosen-rufu. Foi um processo de aquisição de compreen­são sobre ensinamentos e princípios do Budismo Nichiren, uma grandiosa filosofia realmente apta a ser incorporada em nossa vida para podermos lidar com os desafios existenciais e para vencer na sociedade­.



Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2316, 19 mar. 2016, p. B2


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