Mudamos a vida ao convivermos com os outros
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Mudamos a vida ao convivermos com os outros

A transformação do estado mental de uma pessoa modifica tudo. O local também muda a partir da sua iniciativa

Discurso do presidente Ikeda proferido na 6ª Reunião de Líderes Centrais da Soka Gakkai, Auditório Memorial Makiguchi, Hachioji, Tóquio, 16 de dezembro de 1996.


Natalia Sats (1903–1993), que ficou conhecida na Rússia como a “mãe do movimento artístico infantil” e atuou como presidente do Teatro Musical Infantil de Moscou (atual Teatro Musical Natalia Sats), fora presa durante a juventude sob falsas acusações de cunho político do Estado ditatorial soviético. Encorajando seus colegas de prisão, ela transformou o cárcere numa escola e num teatro. Aludindo ao exemplo da Sra. Sats, o presidente Ikeda discorre sobre a importância de fazermos da vida diária o palco de nossa revolução humana, e afirma que obtemos a verdadeira revolução humana permanecendo firmes na prática budista e sobrepujando os sofrimentos e as adversidades.


Quando mudamos nosso coração, nosso ambiente também muda. O budismo ensina este fato na doutrina da “unicidade da vida e do seu ambiente” e dos “três mil mundos num único momento da vida”.


Observando à sua volta na prisão, Natalia Sats vira mulheres com os mais variados e maravilhosos talentos. Seria inútil lamentar-se de sua situação. Ela refletiu: “Façamos disto a oportunidade para aprender umas com as outras, cada qual compartilhando seu talento especial. Criemos uma escola. Esta pode lecionar ciências, e aquela pode nos ensinar medicina”.


A Sra. Sats tinha uma linda voz. Certa ocasião, recitou um poema de Pushkin [romancista e poeta russo]. As colegas de cárcere sentiram-se profundamente emocionadas e encorajadas.


A prisão era escura e isolada do resto do mundo. Isso a tornara um lugar ideal para estudar tranquilamente. O local também se transformara num palco onde apreciavam apresentações. A mudança do estado mental de uma pessoa modifica tudo.


A Sra. Sats resolveu tentar tornar cada dia o mais agradável e significativo possível.


Pessoas verdadeiramente sábias criam valor sob quaisquer circunstâncias.


O budismo ensina que “a mente é como um pintor habilidoso”. Ela pode retratar tudo livremente. A vida em si é um grande quadro pintado por nossa mente. É uma obra de arte criada por nossa mente.


Acreditar realmente nas pessoas

A Sra. Sats decidira, junto com suas colegas de prisão, que ninguém deveria ser deixada triste e sozinha.


Estar só apenas intensifica nossa tristeza e torna ainda mais difícil aliviar a dor. Os seres humanos são seres sociais. Nossa interação com outras pessoas é o que nos torna plenamente humanos; enriquece-nos mutuamente.


Sem dúvida, pode haver ocasiões em que um membro de uma organização pareça ser um aborrecimento e simplesmente queiramos ficar sós. Mas, se de fato nos isolássemos dos demais, e isso nos levasse a parar de praticar, quão maior seria nossa tristeza e solidão! Crescemos por meio da interação com outros seres humanos, compartilhando mutuamente altos e baixos e alegrias e sofrimentos, num mundo dinamicamente humano.


Como mostra o seu exemplo, a Sra. Sats era sábia filósofa e humanista.


Não é necessário professar pomposas teorias para ser um humanista. Só é preciso acreditar realmente nas pessoas e se esforçar para uni-las. É disso que se trata o autêntico humanismo. Não é nada além de construir amizades.


A amizade é força

A força subjacente da SGI também são a amizade, o companheirismo e a sólida união na fé. A estrutura organizacional vem depois disso. Jamais devemos pressupor o inverso.


A organização constitui um meio para aprofundar a amizade, o companheirismo e a fé. Inverter essas prioridades seria fatal. Quando a organização ser torna uma prioridade em benefício próprio, passa a padecer dos males do autoritarismo.


Por meio das atividades da SGI, que disseminam a amizade em nossas comunidades e na sociedade, estamos acumulando tesouros na vida dia após dia. Somos praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin. Empenhemo-nos para viver de um modo que inspire os outros a admirar e a desejar seguir nosso exemplo, e escrevamos o épico da revolução humana de nossa vida de um modo original, só nosso. O essencial é transformar a nós mesmos.


Não há vida melhor do que a dedicada à criação de nossa própria história de revolução humana, de maneira singular, só nossa, dia após dia. O desenvolvimento que exibimos nesse processo é, em si, um recurso maravilhoso para expressar aos outros a grandiosidade do Budismo de Nichiren Daishonin.


Seguramente manifestaremos o estado de buda

Permitam-me compartilhar a conhecida passagem de Abertura dos Olhos:

Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem [dos benefícios de se abraçar o Sutra do Lótus], mesmo que não haja a proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente. Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial.


Daishonin assevera que se continuarmos nos esforçando na fé por toda a vida, seguramente manifestaremos o estado de buda e, portanto, recomenda enfaticamente que procedamos desse modo não obstante as dificuldades que encontremos ao longo do caminho. Conforme Daishonin diz: “Esta vida é como um sonho. Não se tem certeza se estará vivo amanhã”.


Dada a incerteza da vida e de nossa incapacidade de controlá-la, é importante que lutemos para manifestarmos o estado de buda nesta existência, consolidando um estado de vida interior de ilimitada liberdade, que perdure por toda a eternidade. Esse é o propósito da fé. Nossa vitória nesta existência depende de estabelecermos tal condição de vida. Não podemos mudar nosso estado de vida por intermédio da ciência, da política nem da economia — isso só pode ser efetuado pela prática dos ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin. E possuímos a imensa boa sorte de ter encontrado este budismo na presente existência.


A alegria da revolução humana

“Não duvidem, mesmo que não haja a proteção dos céus”, registrou Daishonin. Em longo prazo, o benefício infalivelmente estará próximo. Embora a situação possa parecer ruim, com certeza conseguiremos “transformar veneno em remédio”.


“Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente”, afirma Daishonin. Uma existência cômoda e segura não nos torna mais fortes. Ter a possibilidade de comer e dormir quando desejarmos pode simplesmente nos tornar preguiçosos e complacentes.


Lutando contra as adversidades, edificamos um estado de vida rico como um diamante. Por esse motivo Daishonin declara: “Dificuldades surgirão, e elas devem ser encaradas como [paz e tranquilidade]".


A prática budista é repleta de difíceis desafios, mas nos permite experimentar a grandiosa alegria da revolução humana, que jamais seria possível numa vida de completa comodidade. Essa é a razão pela qual Daishonin nos adverte rigorosamente a não nos esquecer, num momento crucial, das promessas que firmamos em relação à fé.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.272, 18 abr. 2015, p. B3
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