Sem discriminação
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Sem discriminação

O budismo se expandiu porque sempre acompanhou a realidade e a época, respeitando cada indivíduo como um genuíno ser humano

Dialogando sobre o tema "religião aberta" com o presidente Ikeda.

Estamos discorrendo a respeito da “amizade” como um caráter distintivo do budismo, e Shakyamuni também chamava de “amigo” todos os membros de sua ordem religiosa. 

Daisaku Ikeda: Na simples palavra “amigo” está compreendida toda a alma de Shakyamuni. Todos somos igualmente seres humanos. Todos somos colegas, companheiros que almejam a felicidade — que diferenças existiriam? Quais distâncias nos separariam? Ao compreender o verdadeiro aspecto de todas as leis, Shakyamuni deve ter visto, perante seus olhos, uma viva e calorosa imagem onde todas as pessoas, todas as vidas se reúnem e, relacionando-se mutuamente, entrelaçam-se e tecem o drama da vida conforme a lei de causa e efeito dos Dez Mundos


As pessoas se enobrecem a partir de suas ações

Daisaku Ikeda: Por esse motivo, para Shakyamuni, tanto a divisão por castas (camadas sociais rígidas preestabelecidas pelo nascimento, que na Índia tinha os brâmanes como camada superior máxima) como também o preconceito e desprezo em relação a outras tribos, não passavam de insignificantes distorções — ilusões.


Se existe alguma diferença entre as pessoas então esta diferença está somente nas suas realizações. O diferencial está em qual dos dez mundos se baseiam as suas ações — se são ações de um bodisatva da terra ou se são de alguém no estado de animalidade.


Ele enxergou a essência da vida de cada pessoa

Por isso, todas as pessoas que entraram para sua ordem religiosa, independentemente de suas origens, foram todas consideradas em igualdade, assim como os muitos rios que, penetrando no mar, tornam-se um só grande oceano.

Ou seja, “abandonar o meio comum” (entrar para uma ordem) quer dizer ‘‘sair de uma sociedade repleta de injustiças e diferenças’’. Portanto, a primeira atitude justa era oferecer um mundo de igualdade sem discriminações. Dizem que “os sacerdotes saem de um meio repleto de desejos mundanos e pessoas comuns e tornam-se pessoas mais vulgares que as próprias pessoas do meio que deixaram”.

As pessoas que protegem a Soka Gakkai são protegidas por todos os Budas

Daisaku Ikeda: Não existe outro lugar além da Soka Gakkai onde exista a verdadeira “igualdade”, ou seja, onde resplandece o verdadeiro espírito de “abandonar o meio comum”.

Ninguém jamais conseguirá imitar esses supremos laços que ligam pessoas admiráveis. Esse fato jamais será repetido outra vez dentro da história.

Precisamos proteger de qualquer maneira este altivo “reino da Lei Mística” e fazer prosperá-lo. A Soka Gakkai tem uma ligação direta com Nichiren Daishonin. Consequentemente, aquelas pessoas que protegem a Gakkai, infalivelmente serão protegidas pelo Buda. Serão protegidas por todos os budas e por todos os deuses celestes.


No budismo não existem discriminações

A Soka Gakkai estendeu a amizade para o mundo e espalhou a Lei Mística para 192 países. Mesmo dizendo ser o budismo de Shakyamuni uma religião mundial, ao pensar que seu avanço estaria restrito apenas ao oriente e, perante essa realidade atual, acreditamos ser quase que um “milagre”.

Com certeza, isso se deve ao fato de a Gakkai ser o próprio “mundo da Lei Mística”, ou seja, o “mundo de igualdade humana”.

Daisaku Ikeda: Exatamente.

Após a expedição de Alexandre Magno, muitos gregos penetraram na Índia. Os gregos, apesar de serem um povo de cultura elevada, foram considerados como “bárbaros” pelos hindus, que taxavam todos os povos estranhos dessa maneira. Tratavam-nos como “sujos” e “selvagens”.

Diziam que só pelo fato deles adentrarem na cozinha já sujavam toda a comida.

Entretanto, o budismo não discriminava os estrangeiros. Por isso um grande número de gregos veio a seguir o budismo na época. Dizem que existiam muitos descendentes de gregos nos interiores do palácio do Rei Asoka, que havia se tornado um adepto do budismo.

Dessa forma, o budismo estendeu-se por inúmeros povos da rota do Caminho da Seda, para a China, para o sudeste asiático e para o Japão.


Um coração autêntico pode Tocar outro coração 

Existiria outra característica além da igualdade que teria tornado o budismo uma religião universal?

Daisaku Ikeda: Acredito que possam ser levantados vários itens mas, se destacarmos apenas um, diria que é a sua filosofia realista que jamais se distancia da realidade das pessoas.

Muitas pessoas devem ter se simpatizado com a sua postura contrária às práticas de austeridades extremadas ou para a vida de prazeres sem nenhum rumo.

Parece um pouco óbvio mas, na realidade, muitas religiões ou mesmo destinos da própria vida têm tendência ao extremismo. O budismo deu prioridade nas questões de “como salvar as pessoas dos sofrimentos que elas estão passando no momento” e “como fazer com que as pessoas possam ser verdadeiramente felizes”.

Dessa forma, jamais fora influenciado erroneamente por argumentos metafísicos ou por lógicas abstratas. Esse ponto deve ter conquistado a simpatia de muitas pessoas.


Profunda benevolência

O budismo carrega a sabedoria da flexibilidade e, ao mesmo tempo, uma profunda benevolência que preza ilimitadamente as pessoas.

Foi esse sentimento que tocou o coração das pessoas. Somente um sentimento pode mover outro sentimento. Somente a natureza humana pode mover o ser humano. 

Pode-se dizer que por serem, Shakyamuni e seus discípulos, pessoas autênticas, o budismo pôde ser propagado tão amplamente.

Apesar de se falar em religião aberta, no final, tudo retorna ao ponto da personalidade aberta, ao sentimento aberto da pessoa que possui uma sincera e calorosa consideração pela vida humana.

Em suma, tudo está relacionado com a própria pessoa.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 1.235, 24 jul. 1993, p. 3
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