Você deve acreditar até o último instante!
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Você deve acreditar até o último instante!

Enfrentando a doença, uma jovem encorajou o máximo de pessoas e deixou sua alegria como legado. Conheça essa história

Discurso do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, extraído e adaptado do livro Juventude: sonhos e esperanças, v. 2, publicado em português em fevereiro de 2010.


A lei da vida e da morte é universal, regendo todo o universo. Mas ela se manifesta de forma distinta e difere de pessoa a pessoa. A vida é extremamente complexa e nela se envolve inúmeros fatores.


O budismo ensina que nossa vida é em grande parte governada pelo carma, que foi se acumulando devido às nossas ações praticadas em existências passadas. Todos nós estamos sujeitos ao carma imutável (fixo), que determina as condições básicas da nossa vida, como por quanto tempo viveremos. Estamos também sujeitos aos efeitos do carma mutável (não fixo), cujos resultados podem ou não aparecer nesta existência. Se fizermos um paralelo entre esses dois carmas e a doença, o carma imutável seria como uma doença grave e até mesmo fatal, e o carma mutável seria uma enfermidade mais leve, como um resfriado.


Não podemos culpar ninguém por nossa situação. Algumas pessoas se questionam por que nasceram em determinada família ou não são mais atraentes fisicamente, mas tudo o que vivemos no presente é resultado de nossas ações do passado.


A palavra sânscrita karma significa “ação”. Todas as nossas ações — o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos — ficam gravadas na vida. Boas ações produzem resultados bons e positivos e más ações produzem resultados maus e negativos. Tudo consequentemente retorna para nós.


As energias, tanto positiva como negativa, que estão gravadas em nossa vida por meio das ações, não desaparecem com a morte. Elas continuam a existir até mesmo em nossa próxima existência. Podemos considerar esse fenômeno semelhante ao princípio da conservação da energia ensinada na física.


Porém o Budismo de Nichiren Daishonin ensina que podemos transformar todos esses carmas. Podemos transformar até mesmo o carma imutável, ou melhor, temos a obrigação de fazer isso. Independentemente dos sofrimentos ou das dificuldades que enfrentarmos, devemos viver com força e coragem, desafiando-os até vencê-los. Os que vencem no final são verdadeiros vitoriosos na vida.


A vitória não é decidida no meio do caminho. Se vencermos no final, poderemos olhar para trás e entender que tudo o que aconteceu até então teve um significado. Mas se somos derrotados no final, tudo em nossa vida terá sido em vão, independentemente do quanto as coisas tenham sido fáceis até então.


Se os companheiros perseveram com forte fé até o fim, eles são vitoriosos, mesmo que venham a falecer de uma doença. Há muitas pessoas que, enquanto sofrem de alguma doença, oram pelo kosen-rufu, pela felicidade dos outros e se esforçam sinceramente para incentivar àqueles que estão diante da morte. Sua vida e sua coragem em encarar a morte proporcionam coragem e inspiração a inúmeras pessoas. Elas renascerão rapidamente com um corpo saudável.


Conheci uma menina que, aos 11 anos, foi diagnosticada com um tumor no cérebro e faleceu aos 14. Apesar de tudo o que passou, era muito alegre e feliz. Com sua presença radiante e positiva, animava os adultos no hospital. Sem dúvida, sua doença causou-lhe terríveis dores, mas continuou a recitar daimoku e a incentivar a todos.


Pouco antes de morrer, ela revelou a um de seus últimos visitantes: “Não me preocupo mais com minha doença nem com o que acontece comigo. Parei de orar para mim mesma. Há tantas outras pessoas que estão piores do que eu. Oro de todo coração para que essas pessoas se convertam o mais cedo possível e descubram por si próprias como o Gohonzon é maravilhoso”.


Aos seus pais, ela disse radiantemente: “E se tivesse acontecido com você, pai? E seria simplesmente horrível se isso acontecesse com você, mãe. E se fosse com meu irmãozinho, tenho certeza de que ele não conseguiria lidar com isso. Estou feliz que tenha sido comigo e não com nenhum de vocês. Tenho certeza de que é o resultado de uma promessa que fiz antes de nascer. Se aquelas pessoas que me conhecem aprenderem algo da minha vida, ficarei feliz”.


Ao tomar conhecimento da batalha contra doença dessa menina, enviei-lhe um buquê de rosas, um leque no qual escrevi “Luz da Felicidade” e uma foto que tirei de um campo cheio de flores de íris. Soube que ela vibrou de alegria ao receber meus presentes.


Às pessoas que estavam ao seu redor, ela deixou as seguintes palavras: “Fé significa acreditar até o fim”. E demonstrou essas palavras com sua própria vida.


Em seu funeral, havia centenas de pessoas que vieram expressar suas condolências. Em seus breves 14 anos, ela falou a mais de mil pessoas sobre a grandiosidade da Lei Mística.


Ela venceu. É isto que acredito. Tudo o que aconteceu em sua vida teve significado. Ou melhor, por meio de seus desafios, ela deu significado a todo seu sofrimento.


Ela disse que sua doença era o resultado de uma promessa feita em sua existência passada. O budismo ensina o princípio de “assumir voluntariamente o carma apropriado”. Aqui é onde os praticantes da Lei Mística voluntariamente escolheram nascer em meio às situações de sofrimento para que possam demonstrar o poder do budismo aos outros por meio de seus desafios e triunfos. Esta é a forma de viver de um bodisatva.


Se todos aqueles que abraçam a Lei Mística fossem afortunados desde o início, ninguém nunca descobriria quão poderoso e efetivo é o Budismo de Nichiren Daishonin. Por essa razão, nós voluntariamente escolhemos nascer com problemas e sofrimentos para mostrarmos às pessoas o que é revolução humana. É como se estivéssemos numa peça, um grandioso drama.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.290, 5 set. 2015, p. B3
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