A restauração da sensibilidade pelo exemplo das mulheres
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A restauração da sensibilidade pelo exemplo das mulheres

Trecho extraído e adaptado da Proposta de Paz 2003, publicada na revista Terceira Civilização ed. 417, maio 2003, p. 4.

Quando examinamos as desigualdades da civilização científico-tecnológica moderna, verificamos que o equilíbrio entre os “seis sentidos” [olhos, orelhas, nariz, língua, pele e a mente] se perdeu: a capacidade intelectual dos seres humanos se expandiu assustadoramente, ao passo que se atrofiaram as capacidades sensorial e afetiva.

Como observamos, esse desequilíbrio sempre assume uma forma sombria de nossa resposta natural à vida e à realidade cotidiana. Essa sensibilidade natural é própria dos cidadãos comuns do mundo e é a base de nossa humanidade universal.

A solução é restaurar nossa sensibilidade à própria vida, nossa consciência palpável da realidade da vida diária; e nesse aspecto, acredito, as mulheres têm papel especialmente importante a desempenhar.

É no lar, berço das relações humanas, e nas interações pessoais do cotidiano que se fortalecem a sensibilidade e a consciência dos direitos humanos, sustentadas por uma percepção da realidade da vida. E nem é preciso dizer que ninguém desempenha melhor esse papel que as mulheres.

A futuróloga Dra. Hazel Henderson revela a razão da sua participação no movimento ambiental em Nova York em meados da década de 1960: “A maioria das pessoas que começou a trabalhar na campanha ‘Cidadãos por um Ar Limpo’, era de mães. Como tínhamos consciência da grande tarefa que é educar crianças, nossa preocupação era garantir para elas o melhor futuro possível”.

De fato, as mulheres parecem ser mais bem dotadas da arte discreta do diálogo de pessoa a pessoa. Por essa razão, é nessas trocas e nas interações da vida diária — como o ritmo constante do Sol, surgindo e iluminando cada dia — que a nova consciência é formada e permanentes valores são criados.

A Dra. Henderson também clamava por uma mudança que ela chamava de “economia do amor”, cujos verdadeiros sinais seriam a felicidade humana em vez de simplesmente o produto interno bruto.

A importância desse enfoque da dimensão da vida, apoiada na percepção da realidade cotidiana, tem sido reconhecida não só no setor econômico, mas também em outros campos como o da paz e o da segurança. Em 2000, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade uma resolução que pede aos países-membros assegurar a crescente representação das mulheres em todos os níveis de tomada de decisões, para evitar, administrar e solucionar conflitos.

Acredito sinceramente que se essa consciência for estabelecida com o consenso da comunidade internacional, poderemos ir além da simples prevenção de conflito e amenização das tensões. Em vez disso, poderemos, de fato, efetuar uma transformação duradoura da atual cultura de guerra para uma nova cultura de paz.

 

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