Bons livros são como bons amigos
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Bons livros são como bons amigos

A leitura é um hábito fundamental para a formação do caráter das crianças. Isso é o que defende Daisaku Ikeda, autor do livro Educação Soka, p. 78-80. Veja trechos adaptados da obra

Creio que o meio para estimular o desabrochar da vida interior negligenciada da criança sempre será o contato com a literatura e a arte. Em suma, acredito que a chave está na leitura de livros.

O primeiro passo para trazer de volta o diálogo num ambiente em que os laços humanos e a comunicação se romperam é revitalizar e infundir a palavra escrita e a falada com a luz da espiritualidade. As obras-primas literárias são o veículo ideal para esse empreendimento, que não deveria se limitar às escolas. Por experiência própria, posso afirmar que a vivência da imersão nas grandes obras literárias do mundo em tenra idade constitui um bem de valor incalculável para a vida toda.

No Japão, o sistema escolar possibilita às crianças várias oportunidades para ler obras literárias. No entanto, em muitos casos, essas obras são transmitidas na forma de livros didáticos em japonês designados, principalmente, para aprimorar aptidões de leitura. No Japão, estão sendo instituídos mais programas de leitura nas escolas, mas, talvez, o propósito devesse ser mais elevado: tornar o mundo da literatura uma disciplina central no currículo escolar.

No sistema escolar sueco, o currículo educacional é planejado de forma a não refletir nenhuma tendência a favor de uma religião em particular. A motivação e a iniciativa do estudante para a leitura são o foco do programa educacional, sendo conferida ao aluno a liberdade para selecionar temas de interesse a partir de ampla gama de textos. Encorajar as crianças dessa maneira aguça seus potenciais de discernimento e raciocínio para que se tornem capazes de lidar com as questões fundamentais e éticas confrontadas pela civilização moderna. A partir do momento que o Japão reexaminar os métodos educacionais e a aplicação dos mesmos, ele poderá se beneficiar muito dos exemplos de outros países.

(...)

Apesar de o ato de ler e guardar o conteúdo só para si possuir seus méritos, a experiência da leitura torna-se mais valiosa quando compartilhada com amigos ou professores. É enriquecida pela troca de ideias, especialmente quando se considera a leitura um hábito por toda a vida. Meus próprios anos de adolescência, passados em meio aos escombros do pós-guerra, foram imensamente enriquecidos por um círculo de leitura formado com os jovens da vizinhança onde eu morava. Também estão gravadas para sempre em minha vida as lembranças preciosas das sessões de leitura com meu mestre, Josei Toda.

Meu mestre não se cansava de incentivar-nos para sermos leitores ativos, jamais passivos, e para absorvermos o conteúdo, nunca sermos dominados pelo enredo. Josei Toda foi um mestre da vida; ensinou-me por meio de sua atitude e suas palavras esta inestimável lição: o modo como nos relacionamos com os livros é o modo como nos relacionamos com as pessoas, e encontrar um bom livro é igual a encontrar um bom mestre ou um bom amigo.

 

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