Ler bons livros cultiva e nutre a vida
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Ler bons livros cultiva e nutre a vida

Napoleão aprendeu com seu pai os fundamentos do latim e dos clássicos da literatura

Daisaku Ikeda: Napoleão foi o segundo de oito irmãos. Devem ter sido fora do normal as dificuldades do pai de Napoleão que, como provedor da família, criou dignamente os filhos, com a pátria derrotada e numa época turbulenta. Charles deixou a suprema herança chamada educação.


Príncipe Charles Napoleão: O pai, Charles, para se encontrar com o filho que estudava em terras estrangeiras (a França), saiu da Córsega várias vezes para ir à Academia Militar de Brienne. Os colegas de Napoleão disseram se lembrar de Charles como um cavalheiro elegante e bem-educado. Ele também tinha o pensamento iluminista, possuía vasto conhecimento de vanguarda e um espírito aberto adquirido na Itália. Em sua residência de Ajaccio, havia enorme biblioteca. Ele tinha em mente educar os filhos de acordo com o espírito da sua época.


Napoleão aprendeu com seu pai os fundamentos do latim e dos clássicos, familiarizando-se com autores cujas obras ele lia, como Montesquieu, Rousseau, Voltaire, Diderot e d’Alembert.


Ikeda: Isso mesmo. Foi grande a influência do pai em ter conduzido Napoleão como assíduo leitor sem igual. É importante que os pais se dediquem a buscar formas para que os filhos se familiarizem, o máximo possível com as boas obras. Esta também foi a minha experiência. Retirei todas as portas da estante de livros de casa para que as crianças vissem as lombadas e tomassem contato naturalmente com as obras.


Quando meus filhos foram para o ensino fundamental 1 e 2, íamos juntos à livraria e eu os deixava escolher livremente dois ou três livros de que gostassem, e os comprava para eles.


Napoleão: Isso é maravilhoso. Seus filhos, presidente Ikeda, só se inspiraram à ler pelo seu aspecto em se dedicar à leitura em meio à sua grande atribulação. Como o senhor afirma, o aspecto, o comportamento dos pais é o melhor ambiente da educação.


Ikeda: Há uma tendência de diminuição na quantidade de crianças nos países, e este é um sério problema também no Japão. No entanto, na França, em 2006 a taxa de natalidade (taxa de fecundidade total) recuperou-se para 2.0 — o nível mais alto dos últimos trinta anos. Agora tornou-se um dos países que apresentam uma das maiores taxas de natalidade da Europa. Com este fundo de cena, a análise é de que está havendo uma grande consciência dos pais, que estão dando mais importância ao lar e à criação dos filhos. Qual é a sua opinião sobre este ponto?


Napoleão: É verdade. Até pouco tempo, via-se na França os divórcios aumentarem rapidamente, e a ruptura da relação entre pais e filhos. Entretanto, a relação com o pai é um fator essencial para o desenvolvimento saudável das crianças. Nos tribunais, a tendência profundamente enraizada é de se dar a custódia das crianças para as mães e não para os pais. Porém, é certo que vem aumentando a visão de que a relação com as crianças deve ser igual para homens e mulheres.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.222, 5 abr. 2014, p. A4
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