O amor como fonte de crescimento
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O amor como fonte de crescimento

Um relacionamento saudável é quando ambos se fortalecem

Discurso do presidente Ikeda, adaptado do Diálogo sobre a Juventude, publicado em japonês em março de 1999.


Assim como é tão natural as flores chegarem com a primavera, e a neve vir com o inverno, a juventude é o tempo do despertar de sentimentos como amor e atração. Esse é um dos estágios da vida. Vocês estão entrando numa fase nova na vida, da mesma forma que o sol assinala o início de um novo dia ascendendo radiantemente ao céu durante a madrugada.


A preocupação de cada um a respeito de amor e relacionamentos difere. Depende da personalidade, da situação e do ambiente. Não há uma fórmula única para solucionar os problemas de todo mundo. Além disso, todos têm inteira liberdade para se apaixonarem ou se sentirem atraídos por alguém. Não cabe a ninguém mais, além de vocês próprios, decidir com quem sairão ou manterão um relacionamento.


O único conselho que gostaria de oferecer sobre o assunto, como um amigo mais velho, é que não deixem seu relacionamento fazê-los perder de vista a busca do tão valioso desenvolvimento pessoal.


O propósito de seus estudos e atividades extracurriculares, como a participação em equipes de esportes ou grêmios estudantis, é torná-los fortes. Preocupações ligadas à sua personalidade e relacionamento com amigos também são nutrientes para construir um sólido caráter.


Isso também vale para o amor. O amor deve ajudá-los a crescer como pessoas; deve fortalecê-los e ajudá-los a manifestar seu pleno potencial. Essa é a premissa básica. Mas como sugere o ditado “O amor é cego”, quando as pessoas estão apaixonadas frequentemente perdem a capacidade de enxergar a si mesmas com objetividade.


Se permitirem que o novo relacionamento preocupe seus pais, os induza a um comportamento nocivo ou a parar de estudar, então vocês e o parceiro(a) estarão agindo como influências negativas, ou empecilhos, um para o outro. Nenhum dos dois será feliz se acabarem tão somente se prejudicando mutuamente.


A questão é “A pessoa de quem vocês gostam os inspiram a se dedicar com mais afinco aos estudos ou os distrai fazendo-os desviar a atenção? A presença dela os tornam mais determinados a devotar suas energias às atividades extracurriculares, a serem amigos melhores, filhos ou filhas mais atenciosos(as)? A pessoa os inspiram a concretizar seus objetivos em relação ao futuro e a se esforçarem para alcançá-los? Ou ela é seu foco central, ofuscando todo o resto, inclusive suas atividades extracurriculares, seus amigos e família e até seus objetivos em relação ao futuro?”.


Um relacionamento no qual ambos se esquecem do que deveriam estar fazendo agora, de seus objetivos e metas não é bom para nenhum dos dois. Um relacionamento saudável é aquele em que duas pessoas se incentivam reciprocamente a atingir seus respectivos objetivos, compartilhando, ao mesmo tempo, esperanças e sonhos. O relacionamento deve ser fonte de inspiração, fortalecimento e esperança para viver da maneira mais plena possível.


Dante Alighieri (1265–1321) é um dos maiores poetas de todos os tempos. Seu grande amor, Beatrice, foi sua inspiração na vida. Ela foi seu amor de infância e, depois, encontrou-se com ela por acaso quando estava com 18 anos. Ele descreveu com profunda emoção o que sentiu na ocasião em seu poema La Vita Nuova [Vida Nova]. Ao se empenhar para descobrir uma maneira de expressar seu sentimento por Beatrice, Dante inventou uma nova forma poética. Beatrice abriu as portas da criação artística para ele.


Entretanto, seu amor nunca seria correspondido. Ela se casou com outro homem e morreu cedo. Dante, porém, continuou amando Beatrice. O amor que sentia moldou, elevou e aprofundou seu espírito, tornando-o mais sublime e nobre. Em sua obra Divina Comédia, Beatrice é retratada como um ser amável e bondoso que o guia ao paraíso.


Obviamente, Dante viveu numa época diferente e, talvez, num país diferente. Mas pensem que há muito a aprender com esse grande poeta, que se manteve fiel a seu sentimento, a despeito de ser ou não retribuído, e o transformou na inspiração que o guiou na vida. Acredito realmente que o amor deva ser um estímulo positivo em nossa vida, a força propulsora para viver com força e coragem.




Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2333, 23 jul. 2016 - Encontro com o mestre


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