O florescer da arte e da cultura com base no budismo
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O florescer da arte e da cultura com base no budismo

A religião, a arte e a cultura estão intrinsecamente interligadas

A primeira parada foi no Louvre, um dos museus de arte mais famosos do mundo, que no passado fora palácio dos reis da França.


Ele abriga obras-primas como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix, e esculturas como a Vênus de Milo.


Apesar de dispor de pouco tempo, Shin’ichi ficou muito feliz pela oportunidade de apreciar as obras do acervo do Louvre. Enquanto contemplava a coleção, recordou-se da ocasião em que o presidente Josei Toda convidou um grupo de cinquenta representantes da Divisão Feminina para visitar uma exposição de arte francesa no Museu Nacional de Tóquio, no outono de 1954. A mostra, sem precedentes na época, reunia principalmente obras-primas do Louvre. Josei Toda explicou o motivo do convite: “A partir de agora, as mulheres devem voltar seus olhos para o mundo. Nesse sentido, é importante que conheçam pessoalmente obras de arte mundialmente famosas”. Naquela época, a grande maioria dos membros da Divisão Feminina passava por sérias dificuldades na vida e não possuía tempo nem dinheiro, muito menos imaginaria visitar um museu. Foi exatamente por isso que Toda sensei propôs a visita ao museu de arte, com a expectativa no desenvolvimento delas como líderes de ampla visão sobre a sociedade.


Shin’ichi imaginou como seria maravilhoso se pudesse caminhar pelo Louvre junto com seu mestre. Cada obra de arte era um tesouro incalculável que comovia e enriquecia o coração de Shin’ichi.


Após uma volta pelo museu, um dos integrantes da comitiva exclamou, com o rosto enrubescido:


— Que fantástico! As obras são realmente extraordinárias quando vistas ao vivo; são bem diferentes do que ver em fotos. Realmente é necessário vermos as coisas com os nossos próprios olhos. Por exemplo, o tamanho da Coroação de Napoleão, de David, surpreendeu-me muito. Ela tem quase dez metros de largura! É um quadro incrível!


Shin’ichi meneou a cabeça:


— A arte tem a força para transcender as diferenças de raça, nacionalidade, religião e costumes, e cria um laço entre os corações.


Todos se reuniram no pátio do Louvre e começaram a conversar sobre arte. Shin’ichi disse:


— A arte, por sua excelência, é uma manifestação do humanismo e, como tal, expressa a liberdade e a diversidade. É o polo oposto da barbárie que oprime o ser humano com o uso da violência ou das armas. Por isso, ela pode transcender os limites da política e, num nível mais profundo, fortalecer os laços de amizade, de empatia e de entendimento entre as pessoas. Vejo nisso a potencialidade da arte de criar a paz do mundo.


Enquanto falava, Shin’ichi sentia cada vez mais fortemente que o Louvre era um templo da arte e um santuário do gênio criativo que reunia os povos do mundo inteiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, seus tesouros incalculáveis foram ameaçados de serem saqueados pelos nazistas. Porém, um indivíduo lutou com firmeza para protegê-los. Seu nome era René Huyghe, que na ocasião era curador das pinturas do Louvre, com quem Shin’ichi manteria uma grande amizade mais tarde.


A palavra “cultura” expressa a ação de “cultivar”. Isso é comparável ao ato de transformar uma terra inexplorada numa rica e produtiva área. Da mesma forma, o espírito humano será como um deserto enquanto não for devidamente cultivado. A cultura é o que o enriquece e o nutre, e nesse processo é indispensável a presença de uma filosofia.


Aqueles que se esquecem de cultivar a si mesmos deixam no seu interior um deserto espiritual. Nessas condições, por mais que falem sobre a cultura ou atuem nessa área, isso não passa de um simples adorno para encobrir a si mesmos. Por essa razão, apesar de se declararem pessoas ligadas à cultura, acabam por sucumbir diante da recompensa econômica ou do privilégio dos poderosos.


O poeta britânico T. S. Eliot disse: “Nenhuma cultura surgiu e se desenvolveu sem religião”. Na base de toda arte e cultura existem uma filosofia e algum aspecto religioso. Muitas das numerosas obras que se encontram no Louvre são, em sua essência, ricos frutos nascidos do solo cultural do cristianismo. Por isso, pode-se considerá-las expressões do “espírito divino” cultivado pela religião.


Como se estivesse visualizando o futuro, Shin’ichi prosseguiu:


— A religião, a arte e a cultura estão intrinsecamente interligadas. Nos tempos antigos, o budismo também deu vazão a um grande florescimento cultural e artístico. Com certeza, à medida que avançarmos rumo ao kossen-rufu, nosso grande movimento cultural que visa cultivar o interior da vida humana produzirá um novo e brilhante florescimento da arte e da cultura com base no Budismo Nichiren. Isso não é maravilhoso? Algum dia fundarei um museu para apoiar a criação artística e promover o intercâmbio e o entendimento mútuo entre pessoas de diferentes etnias e nacionalidades. Vamos exibir pinturas e esculturas famosas de vários países, de onde se levantarão ondas de empatia no coração das pessoas. Quando imagino isso, encho-me de esperança!



Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2377, 24 jun. 2017, p. C4

NOVA REVOLUÇÃO HUMANA, volume 5, p. 34-39

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