Seja a voz que executa o trabalho do Buda
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Seja a voz que executa o trabalho do Buda

Para um bom diálogo é importante ter em mente o respeito à vida da pessoa com quem se dialoga e o desejo de tocar o coração dela

Desde que comecei a estudar comunicação, me veio a impressão de que essa área é muito mais importante do que o valor que as pessoas em geral costumam dar a ela. Afinal, todas as áreas do conhecimento são ligadas por meio dela. As ideias e pensamentos somente são transmitidos por meio da comunicação. Algo que aprendi nos meus estudos e na minha vida prática como jovem comunicador é que por maior que seja a importância de um bom conteúdo (e é realmente essencial), a forma como vamos transmiti-lo é igualmente importante. O conteúdo está ali, é o mesmo para todos, mas somente quem tiver o coração tocado vai acessá-lo.
Nas escrituras de Nichiren Daishonin consta: “A voz executa o trabalho do Buda” (Gosho Zenshu, p. 708). Ou seja, em qualquer lugar em que estivermos, somos emissários do Buda, em unicidade com ele e com Ikeda sensei.  Devemos, portanto, ser exemplos dos ideais humanísticos que propagamos como praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin e como membros da Gakkai. Em um primeiro momento, isso pode parecer difícil, pois todos nós temos nossos dramas particulares e manter o estado de vida sempre elevado é um desafio constante.

Contudo, é bom lembrar que a nossa vida espelha a nossa prática. Quando entendemos os conceitos de “fé, prática e estudo”, aplicados à nossa vida diária, introjetamos essa filosofia grandiosa que norteia a nossa organização. Com o daimoku e o estudo, atingimos sabedoria para dialogar sobre os mais diversos assuntos sob essa ótica. E o que também é importante: compreendemos as causas de nossas irritações e desafios diários, o que nos torna aptos a enfrentá-los como oportunidades para darmos um salto em nossa revolução humana.

Para um praticante budista, é importante ter em mente sempre antes de um diálogo, o respeito à vida daquela pessoa com quem se dialoga e o desejo de tocar o coração do outro. É tocando o coração, e isso tem muito a ver com postura e exemplo, que propagamos o Budismo de Nichiren Daishonin. Isso não significa ser subserviente, de forma alguma. E sim, ter ao mesmo tempo rigor e afetividade na condução de nossos shakubuku e pessoas que convivem conosco.

Uma das várias questões que me atraíram ao budismo, num primeiro momento, foi a possibilidade de cada um de nós atingir a iluminação na presente forma. Afinal, o estado de buda é inerente ao ser humano. Só precisamos de mecanismos (como a prática e a fé) para ativá-lo. Como “a voz executa o trabalho do Buda”, a comunicação exerce um fator importante nesse processo. Vale lembrar que como as pessoas têm personalidades e contextos distintos, cada uma terá a sua própria voz, com beleza e qualidades particulares. Todas essas vozes devem estar em unicidade com os ideais humanistas de Ikeda sensei. A diversidade e o itai doshin são o que há de mais belo na Soka Gakkai.

Eu acredito que o conceito de “a voz executa o trabalho do Buda” vale para todos os ambientes e situações, sem exceção. Na escola, na família e no trabalho, por exemplo. Eu gosto de incentivar tanto as pessoas que acompanham meu trabalho à distância quanto aquelas que convivem diariamente comigo. Por isso, oro todos os dias para ser prova real do poder ilimitado da Lei Mística, onde quer que eu esteja.

Por ser autista, eu sempre tive dificuldades para dosar o como falar com o outro sobre qualquer assunto, inclusive a respeito do budismo. Então, percebi que a prática do shakubuku é um estilo de vida. A conversão vem como consequência de muito diálogo com quem aplica o budismo em sua própria vida – nós, membros da Gakkai. Por isso, de forma natural, busco sempre relacionar os acontecimentos pelos quais passamos com os conceitos budistas, porque budismo é vida. Para isso, sempre respeito a vida de quem estou dialogando, e jamais desrespeito outra religião, como orienta o presidente Ikeda. Acredito que as pessoas descobrem a grandiosidade do Budismo Nichiren por meio da prova real, e para isso busco tocar o coração dos meus shakubuku para que eles vençam a escuridão fundamental e manifestem o estado de buda.
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Victor Arthur Silva de Mendonça é jornalista e escritor. No Youtube tem o canal Mundo Asperger. Faz parte da Coordenadoria Geral das Regiões Estaduais da BSGI; Subcoordenadoria Minas Gerais. Pratica o budismo há 11 anos.

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